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Game of Thrones – 3×10 Mhysa (Season Finale)

Por: em 11 de junho de 2013

Game of Thrones – 3×10 Mhysa (Season Finale)

Por: em

O season finale da melhor temporada de Game of Thrones até aqui é todo construído em cima de situações anti-clímax, contrastando com o ritmo ágil de todo este terceiro ano. Isso é ruim? De maneira alguma. Em termos práticos, sim, Mhysa é um episódio onde a ação é deixada de lado e a prioridade se torna os jogos políticos, as estratégias e os diálogos. É o novo encaixe das peças, a nova configuração da série após a morte do Jovem Lobo e sua mãe.

A conversa entre Tywin e Tyrion logo nos primeiros minutos já dá o tom e mostra porque os Lannister, a despeito de qualquer quebra de valores ou atitudes, são os donos do jogo, ao menos por enquanto. A mente genial que é Tywin Lannister sabe exatamente como agir em uma situação de guerra. Pra que sujar as mãos quando você tem quem possa fazer isso por você? Casamento Vermelho foi a prova de que a tática (quase) sempre funciona. O confronto de palavras entre os dois é épico por trazer a tona as distintas personalidades de cada um, mas que ainda assim, são iguais em vários pontos.

Cersei Lannister
Lannisters têm uma sede natural pelo poder. A diferença são os meios usados para chegar a tal. Como bem pontuou Varys na conversa com Shae, Tyrion tem o nome certo e o temperamento certo para fazer de Porto Real um lugar diferente. O problema é que Shae não é nem de longe o único empecilho a isso. Não é nem o primordial, já que por mais que Sansa seja agora, de fato, herdeira legítima do Norte, eles ainda não tem um filho que possa sagrar Tyrion ou um mini-Lannister como Senhor de Winterfell. O maior obstáculo é Tywin. E Joffrey, por tabela. Os dois maiores representantes de tudo que o sobrenome Lannister traz e que farão o possível e o impossível para governar Westeros, em uma guerra de egos que promete.

Joffrey é perigoso a partir do momento em que se encontra totalmente sem controle. Deixaram que o poder lhe subisse a cabeça e o pequeno Rei agora acha que pode tudo (embora, na teoria, ele possa mesmo, como Senhor no Trono de Ferro). A arrogância de Cersei acabou despertando o monstro que existia no filho (digo despertar porque isso certamente já nasceu com o Joff e, cedo ou tarde, viria a tona). O interessante, aqui, é observar que a própria Rainha sabe disso, como fica claro em sua conversa com Tyrion já no último ato do episódio. Ela sabe que seu filho é um monstro, mas nem por isso deixou de amá-lo um minuto que fosse. E é pra isso que as mães são feitas, não é?

Outra faceta de Cersei que se revela, ainda que por menos de um minuto, é aquela que vimos no momento em que seus olhos cruzam com os de Jaime novamente. O olhar que vimos em Lena Headey não é o da fria, egocêntrica e gananciosa rainha. É o de uma mulher frágil, retorcida e tão humana quanto qualquer outro personagem da série. Essa dualidade é, sem dúvida, a coisa mais legal de Game of Thrones.

Arya Stark

Enquanto os Lannisters enfrentam seus próprios demônios entre as paredes de Porto Real, os Starks (a exceção de Sansa, ainda prisioneira na capital) continuam espalhados pelo continente e Mhysa consegue deixar bons encaminhamentos para cada um deles, exatamente o que um bom season finale deve fazer.

O primeiro assassinato cometido por Arya apresenta-se como um divisor de águas na vida da garota. É sabido que, de fato, há muito ela deixou a inocência para trás. Mas sujar de fato as mãos com sangue traz toda uma nova perspectiva. Ver a cabeça de Grey Wind costurada ao corpo do irmão morto mudou algo em Arya. E, como alguém disse nos comentários de semana passada, a diferença dela para Robb e Catelyn é que, enquanto eles queriam justiça, ela quer vingança. Os prognósticos são promissores.

Jon Snow protagonizou uma das cenas mais emblemáticas do episódio. Seu acerto de contas com Ygritte é, de longe, a melhor sequência dos dois até agora. Tem tanta dor e sinceridade, mas nenhum arrependimento (e isso que dá um toque especial) no diálogo que eles travam a beira do rio que as flechas que Ygritte atira são o toque de ouro em todo o quadro. Agora, Snow volta ao status quo. Sua chegada em Castelo Negro promete mais, por exemplo, do que a de Sam, que finalmente cumpriu sua missão de levar Goiva e a criança para um lugar seguro.

Bran é o que ainda segue sem perspectiva, rumo ao Corvo de Três Olhos, mas sem pista nenhuma. Suas conversas com Sam aqui são interessantes porque representam o encontro de dois núcleos que, sem saber, compartilham do mesmo objetivo, mas o pequeno Stark termina o episódio no mesmo ponto onde começou, só que dessa vez com vidro de dragão e finalmente seguindo sua jornada rumo ao desconhecido. A melhor cena do senhor de Verão foi a história a respeito da Ratazana Branca (e aqui vale elogiar a ligação do episódio, saltando logo depois para Walder Frey, que realmente tem cara de ratazana).

Theon e Ramsay Bolton

E ratos lembram fedor. Fedor, agora, lembra Theon.

A mudança no psicológico do personagem é sem dúvida um dos melhores arcos da série até agora. Theon começou Game of Thrones como um rapaz irônico e brincalhão, vivendo a sombra dos Stark. Na segunda temporada, revelou aquela necessidade gigantesca de ser aceito, que o levou a cometer muitos (muitos) erros. Erros estes que o trouxeram até onde ele está agora. O garoto misterioso, que finalmente revela-se como Ramsay, filho bastador de Roose Bolton, aliado dos Frey, ao mesmo tempo em que tortura Theon, o obriga a se despir de toda empáfia e arrogância. Ele agora não é mais Theon. É Fedor. O arremedo do que um dia foi o príncipe de Winterfell está reduzido a nada.

A frieza de seu pai ao descobrir o estado em que o filho se encontrava assusta, mas não é exatamente inesperada. Não dado o modo que Balon sempre tratou o filho nas poucas cenas em que os dois compartilharam. É como o próprio Theon reconheceu em algum dos primeiros episódios desta temporada: Seu pai de verdade teve a cabeça cortada em Porto Real e morreu, injustamente, como um traidor. Um traidor. Exatamente o que Theon foi ao saquear Winterfell e se voltar contra Robb. Mas o passado não volta, é preciso olhar para o futuro. E nas mãos de Ramsay, o de Theon não parece animador.

A não ser que sua irmã Yara (e eu estava prestes a digitar “Asha”, ainda não consigo me acostumar com a troca de nomes com relação ao livro) consiga salvá-lo antes que algo de pior lhe aconteça. Uma temporada depois, os Homens de Ferro voltam a história. E desta vez, aparentemente para ficar.

Stannis e Melisandre

Uma temporada depois, também ouvimos falar nos White Walkers, agora diretamente. O núcleo de Stannis e Melisandre (junto com Dany e seus dragões) é o responsável por manter a magia presente na série, então nada mais do que óbvio que a histórias dos Caminhantes Brancos convergisse aqui. Sorte para Gendry, que vai ter sua fuga esquecida por um tempo e Davos, que conseguiu ficar com sua cabeça. Conversando com alguns amigos esses dias, eles levantaram a mesma possibilidade que Melisandre colocou aqui, a respeito da verdadeira guerra não ser a luta pelo Trono e sim uma batalha colossal contra os seres sobrenaturais para além da muralha. Mesmo nos 5 livros lançados até agora, nada sobre isso vai muito além das insinuações e eu confesso que a possibilidade me agrada – e muito.

Vale lembrar que Jojen também toca no assunto e levando-se em conta que ele está com Bran, a quem diz ser extremamente importante, parece também claro que o pequeno lobo terá um papel central na batalha que está por vir.

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PS. Angustiante ver a cabeça do lobo costurada no corpo de Robb.

PS.2. Dany apareceu apenas para encerrar a temporada de forma emblemática, carregada pelo povo de Yunkai, enquanto seus dragões ganham os céus.

PS. 3. Tem alguém que articule melhor suas palavras do que Varys? Ok, Mindinho talvez.

PS. 4. Quem me leu aqui nesses últimos meses sabe que eu não costumo reclamar da adaptação… Mas, pô, HBO. Cadê o Mãos-Frias?!

PS. 5. Obrigado a todos pela companhia nos reviews desta temporada. The northeners will never forget! 


Alexandre Cavalcante

Jornalista, nerd, viciado em um bom drama teen, de fantasia, ficção científica ou de super-herói. Assiste séries desde que começou a falar e morria de medo da música de Arquivo X nos tempos da Record. Não dispensa também um bom livro, um bom filme ou uma boa HQ.

Petrolina / PE

Série Favorita: One Tree Hill

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

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