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The Big C – 2×11 Fight or Flight e 2×12 The Darkest Day

Por: em 24 de setembro de 2011

The Big C – 2×11 Fight or Flight e 2×12 The Darkest Day

Por: em

Dois episódios bem diferentes. Enquanto Fight or Flight abordou temas comuns, mas de forma repetida, The Darkest Day soube emocionar, chocar, e nos preparar para a season finale.

Vejam bem, em Fight or Flight o tema de Cathy se importar com os outros foi tratado da mesma forma que diversas outras vezes na série. Essa é Cathy. Ela se importa com os outros. Pode ter uma epifania aqui, outra ali, e mudar por alguns momentos, mas ela sempre se importará. E isso é bonito, e humano. Mas confesso que fiquei um pouco chateado pela primeira vez na história de The Big C com esse tratamento do assunto. Além do mais, Cathy tende a extrapolar quando quer algo com os outros. Isso aconteceu com Lee, seu melhor amigo. Foi bonito assistir o desejo de Cathy de ver o amigo tentando novamente? Foi? Mas se ele quisesse, já estaria vendo outros tratamentos. Aqui a série aborda outro tema complicado. Desistência. Mas Lee realmente desistiu? Seus tratamentos não funcionavam, e de acordo com suas crenças, estava na hora dele partir. A esperança é a última que morre, mas o que fazer quando ela já está morta?

O mesmo aconteceu com Cathy e a descoberta dos roubos de Paul. Como comentei algumas vezes, não é possível prever a reação de Cathy. Ela poderia pirar, ela poderia ficar feliz…No final das contas, foi um misto de sentimentos. Ao ficar brava com Paul, acabou entendendo a situação e se aproveitando dela para uma viagem para a Itália. Tudo isso após experimentar um sentimento de alívio com a possível morte de Sean. Preocupação de mais faz mal. Importar-se de mais, pode fazer mal. E isso aconteceu com ela. Não julgo por ela ter se sentido um tanto aliviada com a o término de preocupação que teria com a morte do irmão. Ela o ama, e isso não muda nada. Mas Cathy passa o episódio inteiro atrás de alguém que – claro, está perturbado – mas não está pensando na irmã, sendo totalmente egoísta. Mas novamente, quem somos nós para julgar? Sean perdeu o filho não nascido. A dor é enorme, mas teimoso do jeito que é, escolheu parar com seus medicamentos.

Com os outros personagens, as situações colocadas foram divertidas e emocionantes, como Paul usando cocaína para se manter acordado; e Myk pedindo Andrea em casamento. Tudo seria ótimo, se não fosse para desmoronar e criar plots que mudaram nossa percepção sobre os personagens, mesmo que acabe sendo momentâneo.

Tudo porque, em The Darkest Day – um episódio sensacional, com a pior audiência da série, vai entender… – essas duas situações tiveram um desfecho cruel para os dois personagens: Paul e Myk. O primeiro acabou se viciando em cocaína!! Sério? Depois de uma temporada que elevou tanto o personagem, engrandecendo o trabalho já sensacional de Oliver Platt, eles resolvem colocá-lo nessa situação? E nem vejo motivos realmente fortes para tais atos. Por que Cathy estava tão preocupada com Lee morrendo? Isso nunca foi um grande problema para Paul. O trabalho? Ele já estava acostumado…então por que? Foi uma storyline que eu não entendo, e que acredito, acabará com boa parte da reputação de Paul. Eu mesmo não gostei desses acontecimentos.

Então temos Myk, um garoto super gente boa, que amava Andrea mais do que tudo. Tinha uma índole boa, per vezes ingênuo, contrastando com os roubos na loja, mas tudo sem parecer como maldade de um gênio do crime. Sua entrada na série deu propósito para Andrea e deixou Gabourey Sidibe brilhar, mostrando outros ângulos da personalidade da personagem. Então descobrimos que Myk queria casar somente para poder ficar legalmente em território americano? Não me cai essa história de que ele não amava Andrea de verdade. Por tudo que mostraram, e pela interpretação de Boyd Holbrook, Myk a amava, e muito, e, com isso, poderia legalizar sua estadia. Para mim, ele queria matar dois coelhos com uma cajadada só. E isso não foi ruim. O que estragou toda sua história foi esconder a verdade de Andrea. Prefiro imaginar a história assim, do que acreditar que Myk era manipulador e tinha planos desde o início, forjando relacionamento com Andrea.

Quanto a Andrea, ela estava linda vestida de noiva, e toda feliz. Ela é uma garota que foge dos padrões que a sociedade diz que são os corretos para namorar, casar, enfim…E quando alguém realmente parece gostar dela pelo que ela é – apaixonando-se tanto pelo seu exterior como interior – ela descobre que tudo pode ser mentira. Sua reação com Paul não foi forçada ou exagerada. Foi ele que deu a má notícia, sendo a pessoa que estragou os sonhos de Andrea. Ele não é o culpado, mas quem ligaria para isso nesse momento? Esse fato fará um grande estrago na vida de Andrea, que dificilmente acreditará em outro garoto que diga gostar dela. Sua autoestima está no chão, e sabemos que um adolescente nessa posição tem um leque de possibilidades ruins para fazer.

Algo parecido aconteceu com Adam, que descobriu a verdade sobre Poppy. Mesmo assim, continuo não gostando dela. Mentira não é a base de nenhum relacionamento. É a ferramenta que destrói toda a fundação. Então o pai de Poppy morreu há dois anos e ela não superou, usando isso para conhecer pessoas que podem passar pela mesma situação, e ser como um ombro amigo? Ok. Não justifica todas as mentiras. Não sei qual será o futuro do relacionamento com Adam, mas também não é uma storyline que me deixa esperando ansiosamente pela season finale.

O ápice do episódio ficou com a morte de Lee. Pois é!! Apesar de esperado, o momento foi mais do que emocionante. E só The Big C para dosar o choro com risos como o tapa de Lee em Cathy após a morte do amigo. Lee, com a interpretação tocante de Hugh Dancy, foi um dos pontos altos dessa temporada. Deu forças para Cathy, fez a personagem pensar na morte e no câncer de forma mais aberta, foi o amigo que sofria do mesmo mal. Foi lindo ver Lee indo embora sem medo, esperançoso para o que aconteceria a seguir, sabendo que seu tempo chegou. Ele não sentiu medo…ele aproveitou o tempo que teve aqui – mesmo com todos os percalços da vida. É um exemplo para Cathy, e para todos nós.

Mas Laura Linney não foi só esplêndida nessa cena. Na palestra para os alunos de medicina, a atriz me fez querer entrar no computador e lhe dar um abraço. A discussão relação médico-paciente foi fantástica. E é um assunto corriqueiro e vital. Todos os dias nos consultamos com médicos que nos tratam apenas como mais um. Mesmo quando o motivo é forte, como o de Cathy. Mas vez ou outra aparece aquele que se importa, que vive seus medos e inseguranças, e compartilha emoções. Claro que extremismo não ajuda, afinal tivemos o Dr. Todd, que acabou se apaixonando por Cathy, mas acho bonito, e sim, necessário um meio termo. Também não deve-se culpar os médicos. Eles desenvolvem isso que chamamos de apatia, mas não é necessariamente isso. Faz parte do trabalho deles. Imaginem se todos eles vivessem os problemas de todos os milhares de pacientes? Ninguém mais viveria são. Por isso, um meio termo é uma boa opção, e Cathy deixou isso bem claro.

Ironicamente, essa interpretação fantástica de Laura Linney, que nenhum crítico ou fã ousa repudiar, perdeu o Emmy no último domingo. Linney venceu o Globo de Ouro por The Big C, e era a favorita, batendo Martha Plimpton, Tina Fey, Amy Poehler e Edie Falco. Ninguém se importava com a possibilidade de Melissa McCarthy vencer. Não que ela não merecesse, mas ela ter sido indicada já foi um susto. Porém, McCarthy venceu, e deixou todos – TODOS – de boca aberta. Como a interpretação de Linney vem se tornando cada episódio mais sensacional, espero que ano que vem ela receba seu merecido Emmy.

Agora só falta a season finale, e só teremos The Big C em 2012. Triste, não?


Caio Mello

São Bento do Sul – SC

Série Favorita: Lost

Não assiste de jeito nenhum: Séries policiais

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