Scandal tem o hábito de repetir algumas frases ou termos de forma excessiva, como “gladiators in suits” ou “white hat”. Em alguns momentos, essa redundância causa um certo cansaço no espectador, mas essa é uma característica do drama de Shonda Rhimes desde o início. Nos últimos episódio, a frase “that’s politics” foi usada diversas vezes em diversos contextos, no entanto essa repetição não vem para ser usada pelo fã da série em alguma citação no Facebook. “That’s politics” é uma justificativa de seus roteiristas e uma desculpa para os seus personagens.

Em “The Miseducation of Susan Ross”, a frase foi usada por Olivia para justificar a divulgação do verdadeiro pai da filha da Vice-presidente. A informação destruiria a família de Susan? Sim, mas acabaria com a campanha da candidata para Presidente dos Estados Unidos e isso, segundo a gladiadora-mór, era mais importante. Felizmente, Olivia não chega a usar as informações contra Susan porque Huck convence Quinn que conversa com Abby que convence Fitz que Olivia precisa de um momento intervenção. E por mais confuso que essa última frase tenha parecido, foi exatamente que isso aconteceu.
Huck surge como a voz da razão mais uma vez nessa temporada para apontar que Olivia pode estar errada e, consequentemente, não está fazendo um bom trabalho. Por mais agradável que seja ver o gladiador sendo racional e cuidadoso, é preciso mencionar que dificilmente ele seria a pessoa certa para apontar os desvios de Olivia. Mesmo sensibilizado pela ausência de seu filho, Huck é alguém que já prometeu a não usar mais seu dom para violência e voltou atrás quando viu uma oportunidade para cortar a garganta da personagem de Lena Dunham ou matar todos os membros do júri de um processo. E como Scandal está finalmente trazendo fatos quase esquecido à tona, como Defiance, me sinto quase na obrigação de lembrar que ainda no começo da quinta temporada Huck estava lutando contra seu próprio comportamento violento. Ou seja, ele não teria a superioridade moral.
De qualquer forma, Fitz também é eleito para trazer Olivia para o lado da luz durante “The Miseducation“. Essa escolha também é controversa, mas nos últimos episódios o Presidente assumiu a posição de mentor de Susan, então essa postura faz mais sentido. O trunfo de Scandal foi entender que o encontro de Olivia e Fitz era constrangedor para as duas partes e brincar com a situação até o momento em que a disputa entre Mellie e Susan entra em discussão.

Mellie e Susan já são personagens queridas do público de Scandal, logo ter essas duas mulheres na corrida presidencial contra um cover do Donald Trump deveria ser excitante. No entanto, a série preferiu focar a atenção desse fato histórico para outros problemas, como o relacionamento de Susan, David e Elizabeth, mas fica claro que a série melhora muito quando usa a política de Shonda Rhimes.
Ao final da discussão com Olivia, Fitz diz: “Nós temos a chance de fazer as coisas de uma forma diferente, não só para elas, mas para nós. Essa é a nossa chance de seguir em frente.” Essa é a chance para Scandal finalmente avançar. É muito difícil um drama com cinco temporadas não se repetir e, provavelmente, isso vai acontecer com a série em uma nova corrida presidencial, mas a questão mais importante é se Scandal ainda consegue emocionar ou ser atraente para seus fãs.
Fitz repete para Susan durante o episódio um dos princípios mais básicos dos ensinamentos de Olivia Pope: diga a verdade. Quantas vezes já ouvimos esse mesmo conselho? Nessa temporada, por exemplo, a própria Olivia vem ao público para assumir que cometeu um erro e conseguir tomar as rédeas de sua história. Mas Fitz pedindo isso para Susan consegue ser um momento comovente. Um dos motivos é que o Presidente consegue finalmente falar sobre Defiance, mas essa cena é emocionante por Susan é adorável.
“The Miseducation” não é um episódio perfeito, longe disso. A influência de Eli Pope sob Edison Davis me parece deslocada, Cyrus ainda não conseguiu trabalhar com Vargas e Olivia se mostrou incrivelmente incopetente. Mas não dá para negar que o episódio 16 já é um grande avanço se compararmos com o que Scandal estava mostrando. A esperança é que a série continue explorando o potencial de seus ótimos personagens, mesmo que isso signifique repetir alguns plots.
Outros comentários:
- E por falar em repetição, as duas músicas tocadas nesse episódio já apareceram na série em outros momentos. “Hold on, I’m coming” já foi usada em outros dois episódios: “Hell Hath No Fury” da primeira temporada e “Top Of The Hour” no segundo ano da série. “Sunny” de Bobby Hebb apareceu em “Randy, Red, Superfreak and Julia” e volta neste episódio em uma versão cantada por Stevie Wonder.
- “The Miseducantion of Susan Ross” foi dirigido por Scott Foley, que não aparece muito no episódio mas ganha o prêmio de melhor-pessoa-comendo-frango e/ou chocado-com-uma-confusão-que-eu-não-estou-envolvido.
- Scandal ainda tem muita dificuldade para encontrar um lugar para Marcus dentro da OPA, mas deixá-lo cuidando de Mellie funcionou neste episódio.
- Eu fiquei um pouco frustada com o desfecho do relacionamento de Susan e David. Eu gostaria muito que ela soubesse de toda a verdade, mesmo sabendo do sofrimento que isso iria causar.
- Quinn: “It could be worse, we could be making stuff up!”




