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Switched at Birth – 5×05 Occupy Truth

Por: em 7 de março de 2017

Switched at Birth – 5×05 Occupy Truth

Por: em

Mais uma vez não sei muito bem como iniciar esse texto. Então, começo dizendo que este não é meu lugar de fala. Sou branca e não entendo – e dificilmente entenderei – verdadeiramente o que é o racismo ou todas as formas nas quais ele pode se manifestar. Essa não é uma realidade com a qual eu tenho que lidar diariamente. Não é algo que me fere ou oprime. Não é uma dor que carrego. Ainda assim, o problema do racismo é um problema meu, assim como de todas as pessoas que habitam esse planeta. Como branca tenho o dever de reconhecer meus privilégios, reconhecer que vivemos em um sistema que mata, violenta e invisibiliza uma parcela gigantesca de sua população, e ajudar a combatê-lo. Tudo isso sem me esquecer, é claro, que essa vivência não é minha e, portanto, cabe a mim apenas ouvir e seguir. Como a própria série deixou claro, na semana passada, a voz e a liderança, nesse caso, cabe aos negros e negras. É deles o protagonismo.

Tendo isso em mente, Switched at Birth acerta, e produz o melhor episódio da temporada, ao esquecer de Daphne e Bay por cinco minutos e focar em Sharee, Iris, Chirs e Keeshawn. Essa história é deles e, sendo assim, eles devem protagoniza-la. Inverter o ponto de vista padrão – é inegável que nossa produção cultural se dá majoritariamente por uma ótica branca – é importante e necessário. Occupy Truth também acerta ao evidenciar as diferenças entre cada um daqueles personagens. Pessoas negras não são uma entidade homogênea, muito pelo contrário, são indivíduos complexos e cada um deles possuí suas próprias questões internas e singularidades.

Dessa forma, não é de se estranhar que Iris, Sharee, Chris e Keeshawn tenham diferentes origens, histórias, personalidades, formas de encarar o mundo, o próprio movimento negro e lutar por uma causa comum. Isso, na verdade, é completamente natural. No entanto, é tão raro ver uma narrativa com mais de um personagem negro, que tenha relevância para a trama e que não reproduza esteriótipos raciais, que é válido e necessário enxergar essa representatividade. Ainda assim, e apesar do número reduzido de episódios, gostaria que esses personagens continuassem a aparecer com alguma regularidade na série, não sendo esquecidos no momento em que uma outra trama se iniciar. Como já mencionei, em algum texto anterior, não basta ter personagens negros em tela apenas quando se fala sobre questões raciais, é necessário que essas pessoas sejam representadas em todas as instâncias da vida.

Dito tudo isso, Occupy Truth foi, sim, um excelente episódio e conseguiu tratar de uma questão importante da forma como ela deve ser tratada. Em um contexto social e político no qual uma figura como Donald Trump está na presidência, Switched at Birth não teve medo de colocar o dedo na ferida e afirmar aquilo que já devia ser óbvio: vidas negras importam e atos de racismo devem ser punidos severamente. A mensagem que fica, após tudo isso, é importante e poderosa. A única forma de combater o ódio, a opressão e alterar, ainda que minimamente, uma realidade é através da união.


Thais Medeiros

Uma fangirl desastrada, melodramática e indecisa, tentando (sem muito sucesso) sobreviver ao mundo dos adultos. Louca dos signos e das fanfics e convicta de que a Lufa-Lufa é a melhor casa de Hogwarts. Se pudesse viveria de açaí e pão de queijo.

Paracatu/ MG

Série Favorita: My Mad Fat Diary

Não assiste de jeito nenhum: Revenge