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Switched at Birth – 5×08 Left in Charge/ 5×09 The Wolf is Waiting

Por: em 10 de abril de 2017

Switched at Birth – 5×08 Left in Charge/ 5×09 The Wolf is Waiting

Por: em

Sabe aquela sensação de refletir sobre um episódio e sentir que nada aconteceu? Bom, pelo menos, nada novo ou relevante? É assim que me sinto em relação a Left in Charge, o antepenúltimo episódio de Switched at Birth. Mais uma vez tivemos um filler, que pouco acrescenta ou desenvolve. Algo que tem sido recorrente nessa temporada. Chega a ser irritante perceber como o último ano de uma série tão maravilhosa não apresenta sequer uma trama principal e todos os personagens parecem soltos na gravidade zero, vivendo situações aleatórias e histórias aleatórias.

Talvez o exemplo mais marcante disso seja Daphne. O que diabos a menina está fazendo nessa temporada? Mesmo que aos tropeços, consigo enxergar o arco narrativo de Bay – a garota que está crescendo, saindo de casa, encontrando um emprego, dando seus pulos pra pagar as contas –, quando se trata de Daphne, no entanto, a história é bem diferente. A menina tem planado por diferentes núcleos, fazendo vários nadas e… bom, é só isso mesmo. Outros personagens se encontram em situação igualmente patética, mas no caso de Daphne isso é pior,por se tratar de uma das protagonistas da série.

Em The Wolf is Waiting a situação da garota não se alterou muito e vimos sua história continuar seguindo a de Chris. Para ser honesta, não entendi a relevância desse plot na reta final da série. A não ser que invistam em um relacionamento amoroso entre os dois personagens, será uma história completamente desperdiçada, mal explorada em um nível que não serve nem mesmo como algo panfletário do tipo “não use esteroides”.

Como mencionado anteriormente, Bay tem tido um desenvolvimento melhor, o que não quer dizer que suas histórias estejam sendo necessariamente boas, apenas que apresenta alguma coerência. De qualquer forma, seu reencontro com Simone foi bem interessante e importante por se tratar de uma temporada final. Simone foi uma personagem de grande relevância no primeiro ano da série e vê-la novamente não só traz uma ideia de homenagem e várias lembranças de volta. Há também um tom inegável de nostalgia, além de ser bem interessante acompanhar o efeito que seu retorno teve em Bay e Tobby.

The Wolf is Waiting, por sua vez, acerta ao trazer o foco para Travis, seus conflitos e as consequências de ter sido abusado sexualmente durante a infância. Toda raiva e agressividade do rapaz vêm disso e era algo que precisava ser trabalhado tanto por ele quanto pela série. Acho incrível perceber como Travis cresceu ao longo dessas temporadas. O garoto, que começou nada simpático e um pouco irritante, teve um desenvolvimento incrível, ganhou espaço, mostrou todo seu coração gigantesco e se tornou um dos meus personagens favoritos.

Sua história, no entanto, não pode ser ignorada. Os descasos que sofria em casa, especialmente por a família não saber usar a língua de sinais, já seria algo suficientemente ruim e deixaria várias marcas. O abuso sexual, no entanto, torna tudo pior. Infelizmente, sabemos que a maioria das pessoas são estupradas e abusadas por pessoas próximas ou da própria família. Travis faz parte dessa estatística e, se todo esse contexto já faz com que as vítimas tenham dificuldade de denunciar e sintam-se constantemente ameaçadas e envergonhadas, o caso do rapaz era ainda mais complicado,por ele não ter sequer como denunciar ou pedir ajuda, o que o deixava em uma posição ainda mais vulnerável. Enfrentar esse trauma e finalmente se abrir com a mãe – que tem tentado reconstruir a relação entre os dois – foi algo muito importante e necessário.

Dito tudo isso, Left in Charge foi um episódio mediano,que não soube mostrar a que veio e soou bastante aleatório. The Wolf is Waiting, entretanto, conseguiu ser melhor, especialmente os momentos focados em Travis e Bay, desenvolvendo os dois personagens e a relação entre eles. Apesar de todos os problemas dessa temporada final, no entanto, é triste saber que falta apenas um episódio para o desfecho dessa série. Switched at Birth pode não ser perfeita, porém possui vários méritos, sempre trouxe temas importantes e, ao longo de todas essas temporadas, construiu uma linda história sobre família, respeito, aceitação, amizade e quebra de preconceitos. Com certeza fará falta.

Observações: 

— Emmett segue esquecido em churrasco;

— Bay claramente eu morando sozinha. Sim, miga, infelizmente nós temos que pagar contas;

— Qual a necessidade de trazerem Eric de volta a essa altura do campeonato? Espero que fique só por isso mesmo, na tentativa de dar um desfecho pra essa história, e que Regina nem cogite ir atrás do ex;

— Se acabarem com o relacionamento entre Bay e Travis apenas pra menina voltar com Emmett, no último episódio, vou ficar bem irritada. Bemmett foi realmente um ship lindo durante o começo da série, mas o casal infelizmente ficou completamente saturado e o relacionamento já não faz bem para nenhum dos dois. Bay e Travis, por sua vez, apresentam uma relação mais madura e baseada no companheirismo. Aprendi a shipar Bravis ao longo das duas últimas temporadas e, honestamente, prefiro que a Bay acabe sozinha – o que é sempre válido, já que finais felizes não dependem de romance – do que de volta com o Emmett, em um final de puro fanservice e falta de noção.


Thais Medeiros

Uma fangirl desastrada, melodramática e indecisa, tentando (sem muito sucesso) sobreviver ao mundo dos adultos. Louca dos signos e das fanfics e convicta de que a Lufa-Lufa é a melhor casa de Hogwarts. Se pudesse viveria de açaí e pão de queijo.

Paracatu/ MG

Série Favorita: My Mad Fat Diary

Não assiste de jeito nenhum: Revenge