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Feud: Bette and Joan – 1×04 More, or Less

Por: em 29 de março de 2017

Feud: Bette and Joan – 1×04 More, or Less

Por: em

Depois de um episódio focado no lado materno, Feud: Bette and Joan volta com força total para a crítica do sexismo na indústria cinematográfica e se aprofunda na disputa entre as protagonistas, que não passaram nem um minuto dividindo a tela essa semana. Além de enfatizar os dramas de Joan, tivemos o prazer de conhecermos melhor Pauline Jameson, a assistente de Robert Aldrich. Vamos rever o que aconteceu em More, or Less.

Iniciamos com Bette e Joan sendo desprezadas por seus agentes. Mesmo com um filme prestes a estrear a nível nacional e em número impressionante de salas, não há nenhuma oferta de trabalho para atrizes da idade delas. Pelo menos o agente pivete que ficou com Bette foi mais simpático do que os responsáveis por Joan, que só faltaram dizer que ela deveria continuar arrumando os próprios projetos sozinha enquanto eles só cuidavam do dinheiro. A temática do episódio está na idade das atrizes, que, quanto maior, menos oportunidades têm.

Apenas duas mulheres com a simples missão de revolucionar Hollywood!

Pauline Jameson (Alison Wright, de The Americans), pela pesquisa que fiz, é uma personagem fictícia, mas feita com base em uma pessoa real. Existiu uma atriz inglesa com o mesmo nome e que, de acordo com muitas fontes, realmente foi assistente de Robert Aldrich durante as filmagens de Baby Jane. Porém, a Pauline que vemos não se trata da mesma pessoa, mas sim de um amálgama de todas as frustrações das mulheres relegadas a funções menores na indústria cinematográfica e que não tinham oportunidade nenhuma de crescimento. Sua ambição em se tornar escritora e diretora jamais teria frutos na década de 60, não por conta de sua capacidade, o que ela já vinha mostrando ter, mas pelo sistema em que está.

O roteiro que escreveu pensando em Joan (The Black Sleeper – A Sapatilha Negra) é muito interessante e eu adoraria ver esse filme. A forma como tenta realizar seu filme é a representação da batalha feminina da época. Primeiro, tenta sozinha, mas é dispensada por Joan, pois ela é uma ninguém. Em seguida, percebendo que precisaria do apoio de um homem, busca Robert que, em um primeiro momento, parece apoiar seu esforço, apenas para humilhá-la no primeiro ataque de raiva que tem. Usar o roteiro como rascunho foi um golpe tão baixo que eu não sei se conseguiria continuar a trabalhar com ele depois disso.

Se é algo que você se importa, você deve levantar cedo, certo?

Minha filha, aqui é a força da Rússia com a liberdade da América!

É Mamacita quem dá a lição de esperança do episódio. Para uma mulher imigrante e subserviente a Joan, ela é extremamente lógica, progressista e bem mais inteligente do que muitos figurões de estúdio. A pesquisa sobre a progressão do crescimento da população feminina é extremamente verdadeira e, se a indústria não aprender a se reinventar e surpreender as espectadoras, estarão alienando grande parte de seu público. Infelizmente, sabemos que essa lição não chegará a tempo de Pauline realizar seu sonho, mas parece que finalmente Hollywood está percebendo que, se não deixarem o machismo de lado e ouvirem a maior parcela da população, perderão muito dinheiro.

Outro aspecto ainda não tratado sobre Joan era seu alcoolismo. Desde o inicio da série nós vemos o quanto ela está triste. Na semana passada, o golpe foi a negação de adoção. Agora tivemos, primeiramente, as fofocas sobre o suposto flop que seria o filme. Quando o público demonstra que não só adorou o filme, mas como idolatram a atriz, Joan pensa que voltará aos tempos de glória, apenas para se deixar abater pelas críticas dos jornais que exaltam a atuação brilhante de Bette e a ignoram. O golpe de misericórdia foi a visita de Warner, exigindo que ela participasse da turnê de divulgação do filme. Não bastasse ter seus avanços sexuais dispensados, ela ainda precisa ouvir da última pessoa que lhe deu uma oportunidade de trabalho que sua atuação não é tão boa assim, e que ela não passa de um par de pernas e peitos duros.

Dá para ouvir o coração dela se despedaçando daqui!

Bette, em compensação está aproveitando até o último segundo esse novo momento de sua carreira, com aparições na televisão e participando de shows e entrevistas para promover o filme. Não devemos julgá-la, pois ela está certa em sugar até onde puder, afinal, é impossível dizer se conseguirá outra oportunidade como essa no futuro. É de cortar o coração ouvir sua proposta de um novo filme ser sumariamente descartada por Robert, por ele não querer se “repetir” e comprometer sua integridade artística. Enquanto Robert já trabalha em um novo filme, a recompensa que Bette parece ter pelo seu trabalho será mesmo o cinzeiro com o milionésimo ingresso vendido do filme e nada mais. Sua única chance de outra oportunidade no cinema será caso ganhe o Oscar – ganhe, não apenas uma indicação – e nós já sabemos como isso vai acabar.

Eu entendo… (Eu me arrepio toda vez que ela diz isso com o sotaque! Ui!)

Não são apenas as garotas quem sofrem pressão aqui. Robert também não sai ileso. Não basta seu novo filme (4 for Texas – Os Quatro Heróis do Texas) estar um desastre, pois seu protagonista, Frank Sinatra, é extremamente não profissional, Jack L. Warner lhe diz duas vezes que simplesmente não acredita que ele tenha potencial para ser um grande diretor. Warner conseguiu ser um imbecil com metade do elenco principal nesse episódio e a minha vontade era de que ele sofresse algo bem doloroso e lento, mas, como homem branco e rico, é claro que ele está no topo da cadeia alimentar. Fiquei com um pouco de dó do Robert, mas passou rápido após lembrar que ele trai a esposa loucamente e ainda foi um ogro com Pauline.

Telefonista? Por favor, me conecte com um assassino que trabalhe com estrelas de Hollywood!

Mas que “gancho” (ahá! piadista!) para o próximo episódio! Mamacita tomou a decisão acertada em esperar que Joan acordasse sozinha depois de mais uma noite de bebedeira para lhe dar a notícia sobre as indicações para o Oscar, ao invés de deixar que ela ouvisse através dos abutres da imprensa. Como era de se esperar, apenas Bette foi indicada como melhor atriz. Joan tem agora duas opções: se entregar totalmente à bebida ou começar um plano de vingança contra Bette. Mal posso esperar para vê-la incorporar a Nazaré Tedesco que existe dentro dela!

Mais uma semana com trilha sonora diminuta, torcendo pelo retorno das listas intermináveis dos primeiros episódios:

MOMENTO CURIOSIDADE:

  • O filme que Bette propõe para Robert parece ser uma referência ao filme Dead Ringer – Alguém Morreu no Meu Lugar, que ela realmente estrelou.
  • Bette Davis estava cotada para participar de 4 for Texas, mas desistiu para filmar Dead Ringer.
  • Victor Buono realmente participou de 4 for Texas, o que significa que Robert não era tão adverso a se repetir quanto a série tenta mostrar.

O que você achou da primeira metade de Feud: Bette and Joan? Deixe suas opiniões nos comentários!


Paulo Halliwell

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das Clamp. Em busca da pessoa certa para fazer uma xícara de café pela manhã.

São Paulo / SP

Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Bruno D Rangel

    Eu gosto tanto da Jessica Lange que minha visão fica distorcida e pra mim ela e sua Joan Crawford roubam o show. Mas conversando com um amigo, a impressão que fica pra ele é que Joan é como se fosse a vilã e Bette a mocinha. Sei que nenhuma das duas impressões é a intenção da série, mas fiquei curioso por ser duas visões tão diferentes de um mesmo show.

    Estou curioso pra ver como serão os próximos episódios e até que ponto da vida das duas a série chegará.

    • Paulo Halliwell

      Pois é, Bruno. Eu total concordo com o seu amigo, Joan é a Paola Bracho da Paulina da Bette, rsrsrs
      Agora, se não é intenção da série deixar uma como mocinha e a outra como vilã, ai eu discordo, pois, para mim, vejo claros sinais de vilanismo em Joan enquanto Bette é justificada.

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