Please Like Me

10 de janeiro de 2017 Por:

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Em 2011, o Brasil começou a contar com uma alternativa às operadoras de TV por assinatura: a Netflix. O serviço de streaming logo caiu nas graças do público nacional, especialmente pelo valor muito mais barato quando comparado às empresas tradicionais. Mas tirando o aspecto financeiro, o seu maior trunfo é seu catálogo, que conta com uma ampla programação de diversos países.

Atualmente é bem simples assistir séries fora do eixo mais mainstream. Temos acesso a várias produções fora dos EUA na ponta do nosso controle remoto, sem nem precisar esperar um horário específico de transmissão. É nesse novo cenário que séries como Please Like Me podem se tornar queridinhas fora de seu país de origem.

A série australiana apresenta uma leitura atual das sitcoms, se juntando também a My Mad Fat Diary, Girls e Love no não tão novo segmento das dramédias. Criada, escrita, dirigida, produzida e estrelada pelo faz-tudo Josh Thomas, Please Like Me tem uma história semibiográfica que começa com o protagonista levando um pé na bunda da namorada (Claire) porque ela acredita que Josh é gay. Todo mundo da sua convivência já suspeitava, mas parece que Josh foi o último a saber. Depois dessa bomba jogada por Claire bem no dia de seu aniversário, ele vai para o trabalho do seu melhor amigo (Tom) desabafar e conhece Geoffrey, um homem (gay) bastante bonito que se convida para o jantar. Mas depois de passar a noite com Geoffrey, Josh descobre que sua mãe tentou se matar e agora se encontra internada no hospital. Pois é, esse é o lance com dramédias, não? Ninguém é feliz por muito tempo.

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Josh e Tom são amigos desde a infância na vida real

Sem a pretensão de ser “a voz de sua geração”, a série conquista o público especialmente por sua simplicidade, que junta humor às relações interpessoais genuínas entre os personagens. Com um ritmo diferente das clássicas produções estadunidenses, conta histórias do dia a dia de jovens da Geração Y, e transforma o trivial em excepcional até nos pequenos detalhes. Seja em suas aberturas dinâmicas, que mudam a cada episódio e tem uma conexão direta com a história a ser exibida, com suas referências gastronômicas, ou até mesmo por uma “inversão de gêneros”, mostrando que homens também podem sofrer de um relacionamento abusivo.

Please Like Me não tem aquele padrão estereotipado idealizado de personagens. Josh é gay, porém sua homossexualidade não é o centro da história, os relacionamentos de Josh são tratados com muita naturalidade (como sempre deveria ser, né?). Além disso, ele definitivamente não é um cara bonzinho. Pelo contrário, é cheio de defeitos e até bem egoísta.

Os seus familiares também são um ponto fora da curva na TV. Seus pais (Alan e Rose) são separados, mas tem uma convivência (em geral) amigável.  Alan (David Roberts) está em um relacionamento com Mae (Renee Lim), uma tailandesa com uma baita de uma personalidade forte, e Rose (Debra Lawrance) tem transtorno bipolar e tentou suicídio mais de uma vez.

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É também importante destacar o relacionamento com seus amigos. Tom (Thomas Ward) é seu melhor amigo e Claire (Caitlin Stasey) é, apesar do término do relacionamento entre os dois, ainda bastante próxima de Josh. Os três descrevem bem um perfil crescente entre jovens adultos: pessoas com vinte e poucos anos ainda tentando encontrar seu espaço no mundo. Josh é bancado financeiramente pelo pai, não consegue concluir a faculdade e nem ter um emprego. Claire e Tom não são muito diferentes, fugindo de todo tipo de responsabilidade e compromisso.

A abordagem leve e humanizada sobre assuntos tão pertinentes, como doenças mentais, relacionamentos abusivos, homossexualidade e relações familiares e entre amigos, que tem personalidades tão distintas entre si, faz com que seja muito fácil o público se identificar com os personagens. Fora as referências à cultura Pop que vão desde Adele ao filme Simplesmente Amor. Como não gostar da série?

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Pra você que quer dar uma chance pra série, Please Like Me conta com 4 temporadas que foram exibidas pela ABC2 na Austrália e pelo Pivot nos EUA. No Brasil a série tem 3 temporadas completas na Netflix que estrearam em Novembro de 2016.

Formada em Engenharia Mecatrônica, brasiliense e completamente viciada em (quase) todo tipo de série.

Série Favorita:

Não assiste de jeito nenhum:

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