Primeiras Impressões: Crashing

21 de fevereiro de 2017 Por:

Antes de iniciar essa review, um disclaimer:

Eu não gosto de comédias. Na verdade, a última comédia pura que gostei foi Friends. Portanto, meu gosto pessoal pode ter influenciado um pouco nessa análise tão extrema.

Sempre que alguém me pede opinião sobre uma série, eu digo que a pessoa precisa ter a própria experiência, mesmo após ouvir o que o outro tem a dizer. É até engraçado, já que escrevo textos exatamente dizendo se séries merecem ou não serem assistidas. Mas é importante lembrarmos que, mesmo que um superespecialista esteja analisando a nova série do momento, se ela for de um gênero que ele não gosta, a análise será negativa, e você pode deixar de assistir algo que vai lhe agradar imensamente. Acho importante ressaltar isso, pois Crashing foi uma das piores séries que já assisti na minha vida, e olha que nessa lista constam algumas séries da Record e Rede TV.

Em Crashing acompanhamos a vida de Pete (interpretado por Pete Holmes, criador e escritor da série, que a baseou em suas experiências). Ele tem  um casamento medíocre com Jess (Lauren Lapkus, de Orange Is the New Black), que é uma professora de ensino primário que precisa sustentar o marido enquanto esse luta para realizar seu sonho de ser um comediante de sucesso. O problema é que Pete, como comediante, é um ótimo enfeite de porta. Sua falta de talento é gritante. Uma tarde, ao voltar mais cedo para casa, encontra a esposa tendo um caso com um colega de trabalho. Arrasado, decide sair de casa e ir para Nova York, vagar pela noite e tentar a sorte, ao mesmo tempo em que reavalia sua vida e passa as noites nos sofás (crash) dos comediantes mais famosos da cidade.

Os problemas da série são muitos, começamos com a quantidade de piadas fáceis que utilizam. Já nos minutos iniciais temos uma cena ridícula com alusão a pratica de sexo anal em Peter. A falta de atividade sexual do casal é motivo de piada pronta em todo momento – e nunca funciona. Quando Pete tenta usar suas mazelas como material em um stand up show, a reação da plateia – e a minha – foi abismal, de tantos absurdos que ele diz. Pete é ex-seminarista e mostram sua culpa católica não apenas como o motivo pelo fim do relacionamento, mas como razão para caçoarmos dele. Ao abusar de recursos manjados, fica aparente a falta de criatividade e o total amadorismo do escritor, que não soube criar nenhuma personagem que não passasse de uma caricatura mal feita de algo já conhecido pelo público.

No episódio de estreia, Pete encontra o comediante Artie Lange, de quem diz ser um grande fã. E desde então, vários momentos de comédia física acontecem, como seu carro sendo destruído, ou Pete sendo assaltado e perdendo seus únicos pertences após sair de casa e ainda assim ser esfaqueado nas pernas. Comédias em que devemos sentir pena do protagonista que se encontra em situações desesperadoras não são nenhuma novidade, como Louie e, na própria HBO, Insecure. A diferença é que essas sabem trabalhar seus argumentos e nos mostram um porquê de vermos aquilo. Crashing serve apenas como cartão de apresentação de Pete Holmes e seus amigos comediantes. Nada de substância pôde ser aproveitado. Ao final do episódio, você apenas se pergunta como faz para conseguir os 32 minutos perdidos de vida de volta.

Para quem tiver estômago de enfrentar os próximos episódios, a série ainda tem T. J. Miller e Sarah Silverman como recorrentes, e promete a participação especial de outros comediantes de stand up americanos. Mas só de ver o trailer podemos ver que será uma bagunça enervante de privilégio branco, com alguns rostos conhecidos de outras etnias especialmente selecionados apenas para que o elenco não seja 100% cor-de-leite. Absolutamente nada me faz gastar outro minuto com essa série.

Como esse cara conseguiu convencer a HBO a produzir essa porcaria? Alguém precisa descobrir o segredo e vai ficar rico!

Crashing estreou dia 20 de fevereiro pela HBO e vai ao ar toda segunda, às 00:30.


Você assistiu Crashing? O que achou? Minha critica foi muito exagerada? Diga tudo nos comentários.

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das...

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Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Alice Reis

    Excelente texto, Paulo. Nota zero pra Crashing. Se liga na minha saga: domingo, ansiosa pra assistir Big Little Lies, liguei cedo na HBO e fiquei vendo a programação anterior – um stand-up deprimente com esse tal de Pete Holmes. Depois veio a dobradinha maravilhosa de BLL e Girls. Eu, feliz, até larguei a TV ligada. De repente, vi o mesmo ~comediante~ anterior em ação e não acreditei. Passou a piada do sexo com a atriz de OITNB e cortou pra cena do stand-up… concluí que ele queria imitar Jerry Seinfeld num nível nojento. Desliguei a TV correndo. The end

    • Paulo Halliwell

      Thanks, Alice!!!!!
      Mano, esse cara ainda consegue dois programas diferentes na HBO? Deve estar pegando alguém da chefia, só pode!
      E eu só dei 0,5 pq teve cena de nú frontal masculino, óbvio que não foi do Pete, que tem o mesmo sexy appeal de uma folha de alface murcha.
      Que pena que a sua experiencia tão feliz de domingo foi manchada com essa porcaria, rsrsrs

      • Assisti os dois primeiros episódios hoje e jurei que não tinha entendido a proposta da série, mas felizmente pelos comentários dos sites brasileiros (pq tem muito americano que achou hilário – oi?) vi que a série é ruim mesmo. Ainda bem que não assisti na estreia, as 00h30 da manhã.

        ótimo texto Paulo!

        • Paulo Halliwell

          Olá, Lúcio. A proposta da série já é bem vazia, mas a execução conseguiu ser pior ainda. E não nem um pouco de se espantar que americanos tenham gostado. Afinal, várias séries boas são canceladas por falta de audiência enquanto temos séries que não deveriam nem ter saído do piloto sendo renovada ano após ano.
          Que bom que gostou do texto, obrigado!

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