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Decamerão, a Comédia do Sexo

Por: em 1 de agosto de 2009

Decamerão, a Comédia do Sexo

Por: em

Minha memória não é das boas. Isso ficou mais do que provado quando eu soube que o primeiro episódio de Decamerão ontem à noite era uma continuação de um dos vários especiais que a Globo lança todo ano. A exibição da Comédia do Sexo – que apesar de ser um especial de fim de ano, foi transmitida em janeiro – não completou nem um ano, e eu realmente não lembrava de que um dia ela havia existido. Mas o ponto onde eu quero chegar nisso tudo é: nunca é tarde pra se corrigir um erro. E foi exatamente isso que eu fiz, assistindo ao 1×01: Espelho.

Decamerão narra a história de um polígono amoroso repleto de astros globais. E não levem isso pro lado pejorativo, porque o elenco da Globo é, de fato, bem rico. Os intérpretes são os mesmos da produção lá de janeiro, e o entrosamento entre os personagens foi um dos pontos altos desse primeiro episódio. Monna (Deborah Secco) é casada com Tofano (Matheus Nachtergaele), mas gosta mesmo do falso padre Masetto (Lázaro Ramos). Calandrino (Edmilson Barros) é criado de Tofano e casado com Tessa (Drica Moraes), que por sua vez, é amiga de Monna. Um pouco mais desligada desse grupo, Isabel (Leandra Leal) faz jus a sua timidez, o que já não combina tanto com seu marido, Filipinho (Daniel de Oliveira). E é dessa forma que Decamerão funciona. Com uma ligação aqui, outra dali, os personagens vão se cruzando, participando um da vida do outro, e a tensão sexual vai aumentando, aumentando, aumentando, e fica irresistível não querer participar disso tudo, mesmo que só assistindo (E mal posso esperar pra ver a Fernanda de Freitas – ou melhor, a Belisa – começar a participar disso tudo também).

Uma das características mais marcantes da minissérie é a forma como o roteiro é escrito. Inspirado em uma série de contos de origem popular escritas pelo italiano Giovanni Bocaccio, os diálogos não perdem o caráter literário e poético das obras originais, funcionando de maneira bastante teatral. Isso nem sempre pode ser uma coisa boa, já que as mídias são completamente diferentes, mas gostei da forma com que eles se encaixaram em Decamerão. Explico: Em Som e Fúria, por exemplo (que eu também gostei demais), durante as cenas das peças de teatro, eu penava pra entender aquelas falas. O texto era pesado e – não sei se eu tô sozinho nessa – eu precisava de um tempo pra assimilar àquilo tudo. Se fosse em um livro, eu teria que ler, reler – pausa pro dicionário – e, enfim, ler mais uma vez. Se fosse em uma peça teatro, o ambiente estaria mais propício pra minha concentração. Mas na televisão, minha cabeça simplesmente não consegue acompanhar… Vai entender. O que interessa aqui é que, em Decamerão, apesar da carga literária do roteiro, ele é leve e bem fácil de se seguir. As rimas deixam as cenas mais harmoniosas e o episódio flui com uma naturalidade até que surpreendente. Vamos ver até onde elas conseguem funcionar desse jeito sem enjoar quem está do lado de cá da tela.

Vale destacar também os cuidados que a produção teve. Nos últimos anos, a Globo vem conseguindo manter um nível de qualidade bem razoável com as suas séries – e ele só tende a crescer. Queridos Amigos, Maysa, Capitu, Tudo Novo de Novo, Som e Fúria – e até a mais antiga A Grande Família – apesar de seus defeitos, não são produções que fazem feio. Em Decamerão, Jorge Furtado capricha e cria um ambiente divertido, em que o texto se encaixa com as atuções, que se encaixam com os cenários, que se encaixam com a trilha sonora. Até na hora do comercial, em vez de um corte seco, a música entra em fade-out e se junta perfeitamente com a vinheta do programa. Tudo bem que o cuidado aqui é maior, a série foi filmada em película inclusive, mas são detalhes pequenos, que quando entram em cena, você percebe como deixam a coisa melhor.

E é isso. Por enquanto são só elogios. Cruzando os dedos, vou ficar esperando por mais um bom capítulo semana que vem. Como eu sou ruim de abandonar alguma série, devo assistir a todos os episódios. Mas se o nível cair, não tem problema, afinal, vão ser só 4 deles (agora, 3). No próximo, prometo que o texto aqui no Apaixonados vai ser mais específico e a gente começa a acompanhar de verdade o que acontece com esses personagens. Até lá.


Guilherme Peres

Designer

Rio de Janeiro - RJ

Série Favorita:

Não assiste de jeito nenhum:

  • fernando

    Os diálogos rimados e o tom teatral arruinaram completamente a série Decamerão. Uma pena, pois os atores são ótimos. Rimas é para poesia, não para narração. Isso tornou a série uma porcaria.

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