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Primeiras Impressões: Mr. Mercedes

Por: em 11 de agosto de 2017

Primeiras Impressões: Mr. Mercedes

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A Audience Network estreou, no último dia 9, Mr. Mercedes, um suspense baseado na obra de Stephen King. A série é estrelada por Brendan Gleeson e Harry Treadaway, dirigida por Jack Bender e tem como roteiristas David E. Kelley e o próprio Stephen King. A primeira temporada terá dez episódios.Reprodução Audience Network

A história começa em uma madrugada de frio, com dezenas de desempregados fazendo fila em frente ao local que, no dia seguinte, vai sediar uma feira de empregos. Conhecemos uma mãe que levou sua bebê porque não tinha dinheiro para pagar uma babá, um rapaz gentil que empresta seu saco de dormir para que ela troque as fraldas e amamente a criança, e um homem meio ranzinza que faz algumas provocações com os dois. O clima parece trivial até que eles são surpreendidos por um psicopata que dirige uma Mercedes em alta velocidade massacrando o grupo que esperava na fila, em uma sequência extremamente sangrenta e cruel.

A princípio, o caso é tratado como o de um motorista que perdeu o controle, mas ao se deparar com a cena do crime, o detetive Bill Hodges tem a certeza de que se trata de um ataque planejado. Dois anos depois, acompanhamos Bill como um policial aposentado que vive uma vida desleixada e sem grandes motivações. Morando quase sozinho  – ele tem apenas seu jabuti de estimação – e tendo pouquíssimos cuidados com a sua casa, sua saúde e sua aparência. Até ser encontrado pelo assassino que ele deixou escapar.

A série não faz suspense sobre a identidade do “Mr. Mercedes” por muito tempo, e já neste primeiro episódio deixa o público ciente do dia-a-dia dos dois lados da história, o detetive e o psicopata. A trama se torna um jogo reverso de caça e caçador, em que o vilão assume o controle da situação, vigia, direciona, tortura e incita o herói a se movimentar para cumprir a promessa não cumprida de captura-lo. Dinâmica que lembra muito a do piloto de Dexter, que termina com o analista de sangue sendo abordado pelo Ice Truck Killer e convidado para “jogar” com ele.

Reprodução Audience Network

O primeiro episódio tem alguns problemas de ritmo, especialmente quando foca nas relações dos dois protagonistas com as pessoas que os cercam. Todos os coadjuvantes parecem descartáveis, exceto Fred, o jabuti – o que chega a ser surpreendente para uma série que criou personagens interessantes e os matou cinco minutos depois. A ambientação em uma cidade pequena e a paleta de cores tendendo para os tons pastéis segue o mesmo estilo de outras adaptações das obras de Stephen King, como Under the Dome. Mas enquanto a maioria delas traz como elemento-chave alguma força sobrenatural, Mr. Mercedes se mostrou um suspense bem ancorado na realidade.

Bill e o Mr. Mercedes são perfeitos opostos. Fisicamente e moralmente opostos. Um representa a lei, o outro é um sádico homicida. Um não entende nada de tecnologia, o outro é um hacker muito sofisticado. Um é quase assexuado, o outro tem diversos gatilhos sexuais repulsivos. Esta linha maniqueísta demais pode ser um ponto fraco com o passar do tempo, pois é difícil para o público se conectar tanto com um herói moralmente irretocável, quanto com um vilão completamente odioso.

Além da paleta de cores, há uma série de referências e semelhanças com outras obras de King. A trilha sonora – muito boa, por sinal – tem o clássico Pet Sematary (Ramones), composto para o filme homônimo do autor. Bill tem problemas para urinar, assim como o protagonista de The Green Mile. O vilão usa uma máscara de palhaço durante o massacre, o que nos faz inevitavelmente lembrar do icônico Pennywise. O vilão tem uma mãe abusiva, assim como Carrie. Os assassinatos são cometidos usando um carro, como em Christine. E não para por aí. Para quem é fã do autor, é um prato cheio, mas para quem não conhece muito dos outros trabalhos também não há prejuízo nenhum no entendimento da trama. Não parece uma grande obra prima, mas entre as opções da Summer Season, Mr. Mercedes pode ser um bom entretenimento para quem gosta de suspense.


Laís Rangel

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • João Vitor Maia

    Adorei o piloto.

    • Laís Rangel

      Foi um bom episódio, eu acho que tenho é um pé atrás depois do que fizeram com Under the Dome mesmo ahahah

      • Under the Dorme se perdeu completamente quando o próprio King colocou as mãos na série.

        • Laís Rangel

          Se perdeu quando ficaram de olho grande nos números de audiência e, em vez de fazerem uma temporada só, coerente e fechadinha, resolveram renovar a série e inventar um monte de tramas toscas pra ir enrolando.

          • Também isso. Mas, o King estraga suas próprias obras! É um escritor de mão cheia mas quando coloca essas na TV ou cinema a coisa desanda; o exemplo maior vemos em “O Iluminado” de Kubrick que ele tanto criticou, fez uma versão própria que foi um grande fiasco!

          • Laís Rangel

            ahahaha tem razão. Aliás, acho que poucas obras dele foram bem adaptadas no cinema ou na TV. Até hoje não me conformo em como todas as Carries foram interpretadas por atrizes magras e bonitas, daquele tipo que só precisa soltar o cabelo pra acontecer a “transformação”. Quem vai acreditar que a Chloe Grace Moretz era perturbada na escola por ser “estranha”? xD
            Mas vamos torcer para eles acertarem dessa vez e Mr. Mercedes ser uma boa série!

          • Hehehhe vdd! Muito bom conversar com vc! Abraços!

  • Marcus H. P. Brügge

    Olá Laís! Como vai?

    Tive a oportunidade de assistir o piloto ontem. Tenho que dizer que, basicamente, a premissa da série (deixando claro que não li a referida obra) simples. Porém, apesar da primeira cena bem executada, na minha opinião, o resto do episódio foi um pouco sonolento e arrastado. Adoro Stephen King e suas obras literárias. Vamos esperar para ver o desenrolar dos episódios restantes e torcer para que a série encontre seu rumo, porque potencial ela tem.

    Até uma próxima oportunidade.

    Um beijo.

    P.S.: Você citou o palhaço Pennywise na review. Torço para que a versão “IT” 2017 chegue perto da interpretação de Tim Curry em 1990, que foi estupenda.

    • Laís Rangel

      Oi, Marcus! Tudo bem, é sempre bom te ver por aqui =)
      Também ainda não li o livro, então minha única referência foi a própria série. Achei o episódio bom, mas para um piloto eles poderiam ter ousado mais e dado mais ritmo. A relação dele com os vizinhos deixou tudo meio moroso ali no meio.
      Estou bem curiosa para ver como vai ficar essa versão de IT. Tenho certa resistência com essa onda de remakes, mas a gente sempre torce pra sair algo bom, né?
      Obrigada pelo comentário e até a próxima!

      • Marcus H. P. Brügge

        Nisso você tem razão. E de sobra. Ultimamente, remakes/continuações de filmes mais antigos, geralmente, tem me decepcionado. Foram os casos de Oldboy, Martyrs, Trainspotting 2, Poltergeist, Alien: Covenant e por aí vai…

  • Bruks

    Piloto excelente, já vi os 4 primeiros episódios, estão fazendo jus ao livro.

    • Laís Rangel

      Não vi ainda os episódios seguintes, vou ver a temporada toda quando terminar =) Mas que bom que está indo por um bom caminho!

  • Giba Giba

    Descobri a série agora e assisti os 3 primeiros eps numa tacada só. Brendan Gleeson entrega um ex policial decadente e autodestrutivo mas, com um charme ranzinza cativante e Harry Treadaway (Penny Dreadful) está ótimo como o psicopata cheio de recalques e traumas familiares. Aliás, a relação dele com a mãe me lembrou mais a de Sleepwalkers do próprio Stephen King do que a de Carrie devido ao teor sexual da dominação. Quando a mãe (Kelly Lynch, ótima) lança um “all work and no play” pra ele é como um carinho no coração pra quem curte a obra de King.

  • Luis BG

    Assisti até o 3 episódio, está boa demais. O ritmo arrastado é típico do Stephen King quando a trama se passa em pequenas cidades e como a série está sendo fiel ao livro, tb fica nesse ritmo. Mas a fotografia é ótima, os personagens bem construídos. Só aplausos.

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