Os indicados ao Globo de Ouro 2018

As nomeações à 75ª edição do Globo de Ouro foram anunciadas nesta segunda-feira pela manhã por…

Primeiras Impressões: Dark

Dark é uma produção alemã de suspense e terror, criada por Baran do Odar e Jantje…

The Exorcist – 2×07 Help Me

Por: em 25 de novembro de 2017

The Exorcist – 2×07 Help Me

Por: em

Nota: o texto a seguir não possui nenhum aspecto psicológico e teológico oficial. Tudo se baseia apenas na opinião do autor, tal qual sua base de estudos.

Já em sua reta final, The Exorcist inicia o momento que veio sendo preparado durante toda a temporada. Com a trama principal sendo deixada de lado, recebemos um episódio focado inteiramente no início de um exorcismo e, quem sabe, no início da redenção de diversos personagens.

Reprodução/FOX

Nós não sabemos o que se passa na cabeça de outra pessoa. Não conhecemos seus medos, suas dores, suas angústias nem suas fraquezas. Cada pessoa é um universo particular, um misto de sentimentos diferentes, um aglomerado de sensações. Depressão nada mais é que um desequilíbrio no cérebro, mas isso vai muito além. Ou melhor, nos faz sentir que vai muito além. Porque nós sentimos. Uma simples gripe pode parecer o fim do mundo, pois nós não vivenciamos apenas a doença, mas tudo o que ela engloba, se misturando com nossos medos e desejos. Em outras palavras, a depressão passa de um simples desequilíbrio para uma tempestade, uma torrente que nos invade de dentro para fora e expõe todos os nossos medos e dores para nós mesmos. Porém, nem tudo o que descobrimos de nós mesmos é verdade. Ela muda nossa percepção, o modo como vemos o mundo e a nós. O modo como vemos a vida. É por isso que a depressão não é apenas considerada o mal do século, como também uma das doenças que mais matam. Ela é exatamente o oposto do que nós somos e exatamente o oposto de que nós seremos. Ela é o oposto da felicidade, do futuro e da vida. Mas ela também é o oposto da morte. A depressão é o oposto do que chamamos humano e é ela que nos torna cada vez menos aquilo que somos. Ela é o nosso demônio.

Nikki, assim como tantos outros que se suicidam todos os anos, sempre aparentou ser uma pessoa feliz. Conhecendo o pior da vida, ela optou por ajudar crianças que muitas pessoas ignoravam. Crianças que ainda não haviam conhecido o amor e todas as suas ramificações. E, apesar de ser uma boa ação e algo completamente concebível com toda a realidade que a personagem viveu, era possível perceber também que um dos motivos para isso, mesmo que pequeno, era tentar preencher um pequeno vazio que estava dentro de si.  Seja por uma infância ainda não conhecida, por algum acontecimento perturbador ou por uma simples e grande aleatoriedade, ele estava lá dentro e não aparentava que iria passar. Quantas vezes não fazemos o mesmo? Quantas vezes ficamos tão acorrentados a onde estamos que desesperadamente procuramos algo mais, algo que nos faça perceber que a vida é muito mais do que sobreviver dia após dia para simplesmente morrer? O ponto principal é que seu primeiro grito de socorro havia sido dado, mas como tantos outros, ele não foi ouvido. Ele não foi ouvido simplesmente porque nunca estamos ouvindo, apenas olhando. Mas não é nossa culpa não perceber nem de Andy, pois é assim que somos.

Com a confusão de pensamentos que o demônio criou na mente de Andy, acaba sendo difícil separar o que é verdade do que é mentira. Temos momentos em que fica evidente sua manipulação, mas em outros aparecem pensamentos totalmente condizentes com aquele realidade. Muitas vezes Nikki deve ter contestado sua própria capacidade de cuidar da casa e daquelas vidas ou até mesmo feito o questionamento de suas ações. Se o buraco já estava ali, era claro que essas questões iriam surgir. Mesmo se ainda não houvesse um, essas questões ainda seriam feitas, pois é isso que acontece quando cuidamos de algo ou tentamos algo novo. Nós sentimentos medo. Somos seres humanos. Mesmo assim, fica claro que, em determinado momento, ela percebeu que conseguia sim cuidar das crianças. Ela percebeu que, apesar do medo, aquelas crianças não vierem para serem salvas, mas para salvarem ela mesma. Com isso, nos resta a dúvida da veracidade do autor de sua morte. Será que ela realmente se matou por pura e espontânea vontade? Será que o demônio a controlou como já fez com tantos outros? Ou será que a situação foi um misto de ambos, fazendo com que sua tristeza gerasse o controle para ele?

Reprodução/FOX

Quando começamos a acompanhar o caso de Casey, mesmo com as certezas de Angela, ainda vemos a garota sendo levado para hospitais ou então tendo seu encontro com os padres interrompidos por terceiros. Além disso, tivemos sua fuga, que acabou agravando ainda mais a situação da garota. Com isso, quando o exorcismo foi realizado, ela já estava em um estágio tão avançado que tornou tudo ainda mais complicado. No caso de Angela, por já ter passado pela situação como Regan e ter uma grande fé e extrema força que a ajudou até mesmo a ser salva de uma integração, as coisas acabaram se tornando um pouco mais práticas de serem resolvidas. Porém, com Andy, tudo ainda estava no início. Mesmo lidando com o demônio por muito tempo, ele ainda não tinha dado permissão para que ele entrasse totalmente. Ele ainda não o tinha aceitado completamente. Por isso, era de se esperar que as coisas fossem um pouco mais práticas. Mas, como já foi mencionado diversas vezes, aquele é um demônio antigo e poderoso, principalmente por ter vagado tanto tempo pelo mesmo local. Infelizmente a chance passou e agora Andy está cada vez mais envolto no mal. Será que os padres realmente serão capazes de salvá-lo?

Um exorcismo não depende apenas de quem o faz, mas também de quem está sendo exorcizado. A força de vontade do possuído é de uma importância gigantesca, assim como vimos com Angela. Porém, tanto o exorcista quanto o exorcizado precisam estar equilibrados, pois ambos são pilares de uma mesma força, uma mesma ação. Eles só funcionam juntos. Atualmente, tanto Marcus quanto Tomás estão quebrados. Ou melhor, se sentindo abandonados. O orgulho e egoísmo de Tomás nos episódios iniciais fez com que ele ficasse preso com os ecos. E, apesar de possivelmente ser um dom proveniente de Deus, ele está claramente sendo usado pelas forças do mal para ficar cada vez mais confuso com o que pode fazer. Aparentemente, o mesmo dom de Deus que pode fazer com que ele salve as pessoas, pode também ser a chave que a conspiração tanto almeja para controlá-lo. Já Marcus continua não sentindo o divino. Seja por suas dúvidas ou medos, ele ainda se sente vazio. Com tantos empecilhos em suas vidas pessoais, será mesmo que eles conseguirão ajudar alguém enquanto os próprios estão em queda livre?

Reprodução/FOX

Com uma construção interessante e um melhor desenvolvimento de uma personagem chave, The Exorcist parece estar firme para percorrer seus episódios finais. No geral, apesar de ainda pecar na resolução de sua trama principal, parece que novamente veremos a antologia sendo o ponto principal da série.

Observações:

Peter também está em todas, né? Algo ainda me incomoda nele.

Nunca reparei que tinha uma cabeça atrás do travesseiro na abertura.

Pelo amor, FOX. Que cena foi essa da cabeça virando? Nem deveria ter se dado ao trabalho.

Dessa vez o atraso foi com motivo. Mas, ao retornar do hiatus, as publicações devem voltar ao normal.

Ah, sim. A série está entrando em um curto hiatus e retorna no dia 01/12, dando sequência aos três últimos episódios.

 


E você? O que achou do episódio? Não se esqueça de deixar sua opinião e continuar acompanhando as reviews aqui, no Apaixonados por Séries.

ATENÇÃO: O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e VoIP 24 horas, todos os dias. Ligue 188 para mais informações.


Lucas de Siqueira

Apaixonado por Tom Holland, séries históricas, documentários sombrios e guerras. 19 anos de pura imersão em diferentes universos através da leitura e pronto para criar outros através da escrita.

Santa Branca/SP

Série Favorita: Game of Thrones

Não assiste de jeito nenhum: Revenge

  • douglas

    AMIGO, QUE TEXTO! QUE TEXTO! gostei da premissa do episódio, veio todo recheado de “como começa, quando já está envolvido, e quando termina (com a integração), diferente da primeira temporada que nao nos mostrou passo-a-passo (ou mostrou e eu que não to lembrado?); cada cena da Nikki + crianças + Andy era uma lágrima minha caindo; QUANDO EU ACHAVA QUE O ANDY IRIA DIZER NÃO, VINHAM MAIS COISAS PARA ELE DIZER “SIM” E PARTIR COM O BONDE DO DEMÔNIO AAAA

    a parte do texto, sobre depressão, maravilhosa! queria eu poder transmitir tanto sentimento. obrigado pela review, e até breve.

    • Douglas,

      Agradeço demais, é muito bom ver um retorno tão positivo por aqui. Às vezes é difícil escrever, mas vale a pena o esforço por esses momentos.

      Achei um ótimo episódio, principalmente pela sequência que você mencionou. Agora as coisas vão pegar fogo nos próximos hahaha

      Muito obrigado pelo seu comentário!

×