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Antes de mais nada, um feliz ano novo para você. Que 2018 tenha um roteiro muito…

Web séries: lonelygirl15, Web Therapy e mais

Por: em 24 de julho de 2010

Web séries: lonelygirl15, Web Therapy e mais

Por: em

A internet trouxe diversas mudanças para o mundo das séries. A principal delas – e provavelmente a maior – é a interatividade. Ela torna possível o diálogo entre produtores, atores e equipe técnica das produções com o público. O feedback é grande, imediato e a produção, então, pode ser trabalhada com muito mais foco.

Da experiência com essa interatividade, sucessos de audiência como Heroes e Lost podem ser usados como exemplos claros de produções que já fizeram a utilização da internet para quebrar a barreira que existe depois de feito o consumo do produto (a série, os episódios em si). Tanto Heroes quanto Lost utilizaram a internet – através de blogs e microepisódios – para continuar histórias, fomentar teorias, divulgar pequenos enredos envolvendo seus personagens e mistérios, aumentando, assim, o tempo e nível de envolvimento do espectador com a série. Recentemente, como propaganda para a estreia da terceira temporada de True Blood, fizeram uma sequência de seis mini-episódios com a participação dealguns nomes do elenco principal, como Alexander Skarsgård, o vampiro Eric, que aparece selecionando uma nova dançarina para o Fangtasia.

Porém, claro, não tardou para surgir alguém que fosse mais além e, enfim, criasse uma web série, ou seja, uma produção totalmente voltada para a internet. Seus websódios são armazenados em suas páginas e quase sempre possuem sinopses e fóruns de discussão. A grande desvantagem desse formato, e que, entretanto, acaba também sendo seu maior diferencial, é a questão do tempo. Como a internet demanda agilidade, isso significa que o tempo precisa ser encurtado ao máximo, a história precisa ser concisa e o roteiro muito bem amarrado.

A primeira web série criada, isso em 1997, foi a Homicide: Second Shift. E desde então não pararam as produções, porém poucos nomes ficaram realmente conhecidos. Exemplos de web séries que ficaram conhecidas são Red Vs. Blue (criada por Rooster Teeth), Sam Has 7 Friends (indicada ao Emmy), Lonelygirl15 (criada por Miles Beckett, Mesh Flinders e Greg Goodfried), Web Therapy (criada por Dan Bucatinsky, Lisa Kudrow e Don Roos), Dr. Horrible’s Sing-Along Blog (criada pelos irmãos Joss, Jed e Zack Whedon e Maurissa Tancharoen), The Guild (criada por Felicia Day), dentre outras.

O grande crescimento do uso da internet banda larga por todo o globo terreste é também um reflexo de que provavelmente teremos algumas novidades no ramo das web séries vindo por aí. As produções tem se tornado mais baratas e com a modernização dos instrumentos, tornou-se mais fácil e também mais barato rodar uma produção. Sanctuary é uma web série criada em 2007 e teve uma repercussão tão grande que foi comprada pelo canal SyFy e transformada em série. O mesmo aconteceu recentemente com Childrens’ Hospital (criada por Rob Corddry). O canal pago Adult Swim (conhecido como [adult swim]) comprou os direitos para fazer uma segunda temporada da web série, mas, no formato série, provavelmente com episódios de vinte minutos de duração e estreia prevista para o dia22 de agosto.

Ano passado foi criado um prêmio chamado Streamy Awards e é uma espécie de Emmy para produções feitas para a internet.  A primeira edição, que aconteceu em março de 2009, premiou atores como Neil Patrick Harris (Dr. Horrible’s Sing-Along Blog) e Paul Rudd (Wainy Days). A segunda edição do Streamy Awards aconteceu no último dia 10 de abril e premiou nomes como Mark Grantt (The Bannen Way) e Felicia Day (The Guild).

Para dar um empurrãozinho em você que nunca assistiu à nenhuma web série, escolhemos quatro delas, assistimos e contaremos os detalhes a seguir. Confiram!

LONELYGIRL15 (2006-2008)

(por Leandro Lemella)

O que esperar?
A web série é basicamente um diário de adolescentes fictícios, que contam os problemas que tem com os pais, amores, escola, dentre outros temas. Em sua primeira temporada, o foco fica totalmente em Bree, uma adolescente que pega uma câmera e dialoga com a mesma, contando suas neuras ou simplesmente fazendo nada. Depois da segunda temporada, a série fica multifocada em diversos jovens, mas mantendo a temática de antes. Consistente e muitas vezes bem engraçada, a série é uma boa pedida para uma diversão rápida e esporádica.

Altos e baixos:
Momentos musicais, cenas de explicações absurdas e alguns momentos até dramáticos são os pontos altos da web série, criando uma forte identificação entre quem assiste e a personagem. Perde pontos, talvez, em episódios em que a personagem não faz absolutamente nada a não ser olhar para a câmera, irritando bastante quem assiste.

Quem trabalha na web série:
A primeira temporada de Lonelygirl15 é estrelada por Jessica Lee Rose, como Bree, e por Yousef Abu-Taleb, como Daniel. Nas demais temporadas, há a adição de diversos outros nomes ao elenco. Os atores são desconhecidos, pois o objetivo da série era transmitir algo real para os espectadores. Produzida por Amanda Goodfried, Gleen Ubenstein e Mesh Flinders. Filmagens feitas em Marin County, Califórnia.

Vale a pena assistir?
Sim, se você busca por um entretenimento rápido e com uma linguagem bem ‘próxima’ da realidade, a web série é uma ótima pedida.

Número de temporadas e episódios:
Contando com três temporadas e um total de 547 episódios, a série foi exibida entre 2006 e 2008. Em média, os episódios tem 3 minutos de duração, variando de acordo com as emoções e do quanto o personagem precisa falar.

Informações adicionais:
Por muito tempo foram questionadas a veracidade dos vídeos, pois muitos acreditavam ser uma menina qualquer que simplesmente contava seus casos num videoblog. Depois foi descoberta a roteirização e o fato da menina ser atriz. Por isso, todo o elenco da série é feito basicamente de ‘desconhecidos’, para passar essa impressão de realidade pra quem assiste. O blog da série ganhou como melhor web hit do ano de 2006 no “VH1’s Big in ’06 Awards”. Além disso, a web série foi pioneira em integrar propaganda numa série de internet.

Onde assistir: http://www.youtube.com/user/lonelygirl15 e http://www.lg15.com/lonelygirl15

SANCTUARY (2007)

(por Lucas Soares)

O que esperar?
Sanctuary é uma web série sci-fi canadense criada em 2007, no Canadá, e  que, inicialmente, teve oito curtos episódios disponibilizados na internet. A história da série é simples: existe um tipo de sociedade – a Sanctuary (ou o Santuário) – que protege monstros (criaturas não-humanas) da falta de informações das pessoas. Liderado pela Dra. Helen Magnus (Amanda Tapping), o Santuário é também um local de pesquisas. A história da web série é coerente, interessante e, para fãs do gênero sci-fi, um prato cheio.

Altos e baixos:
O ponto mais alto da web série é sua edição. Apesar de ter sido feita para veiculação na internet, a edição da produção obedece praticamente os padrões televisivos. A trilha sonora marca bem a maior parte das cenas, o que, também, ao final, deixa um ponto positivo para a produção canadense. O ponto mais baixo, entretanto, fica na falta de respostas. Algumas pessoas podem discordar e dizer que isso tira o mistério dos episódios, mas, há meios e meios de ir se desenvolvendo uma história dando ao público respostas mais imediatas. Mas, a síndrome Lost talvez tenha afetado a produção.

Quem trabalha na web série:
O elenco de Sanctuary tem alguns nomes já conhecidos. A protagonista, Dra. Helen Magnus, vivida por Amanda Tapping, já esteve em Stargate SG-1. Robin Dunne, o Dr. Will Zimmerman, psiquiatra forense e parceiro da Dra. Magnus, fez participações em Dawnson’s Creek, CSI: Miami, NSCI e Dead Like Me. Emilie Ullerup, que vive a filha de Helen, Ashley Magnus, já apareceu em Battlestar Galactica e Smallville. A criação da web série foi feita por Damian Kindler, diretor e produtor-executivo americano que já trabalhou em séries como Stargate e Stargate: Atlantis, além da versão de Sanctuary para o canal SyFy.

Vale a pena assistir?
Sim, desde que goste do gênero sci-fi misturado com cenas de ação, terror e muito mistério.

Número de temporadas e episódios:
Como web série Sanctuary teve oito episódios (duração, em média, de dez minutos cada). Depois, quando foi comprada e produzida pelo canal SyFy, em 2008, com praticamente o mesmo elenco, teve duas temporadas, cada uma com treze episódios. Os fãs aguardam uma terceira temporada da série que, segundo informações divulgadas pelo site do canal, terá 20 episódios.

Informações adicionais:
Sanctuary é considerada a web série que mais obteve sucesso a nível internacional até hoje. Sua primeira temporada  foi vista por mais de 630 mil pessoas, que totalizaram um total de 3,9 milhões de visualização dos vídeos.

Onde assistir: http://www.sanctuaryforall.com/

CHILDRENS’ HOSPITAL (2008-presente)

(por Alexandre Borges)

O que esperar?
Sátira. Pura, simples e escrachada. Uma paródia de grandes séries médicas, como Grey’s Anatomy e ER. Para os fãs do gênero, é um prato cheio de piadas impróprias e situações comicamente incômodas. Alguns personagens excessivamente ingênuos, outros sem qualquer noção de realidade e outros tão estranhos que fica até complicado definir. Uma coisa, porém, é certa: são médicos que não podem ser considerados exemplos para paciente nenhum.

Altos e baixos:
Além do enorme alívio cômico, a série possui uma mensagem bacana nas entrelinhas, por mais que isso não fique exatamente claro: o poder do riso, já que o protagonista, Dr. Blake, acredita (sem qualquer vestígio de dúvida, totalmente ingênuo) que pode curar pacientes pela tão esquecida técnica. É, sem dúvida, o ponto alto da série, caminhando lado a lado com as atuações, que não deixam a desejar em nenhum minuto sequer. Na contramão, o que pesa contra a série, é a maneira como os personagens são apresentados, um em cima do outro, e o recurso de flashbacks, que por não ser bem usado, por muitas vezes deixa o episódio um tanto quanto confuso.

Quem trabalha na web série:
A web série é estrelada por seu criador, Rob Corddry (Dr. Blake Downs), e traz em seu elenco nomes como Megan Mullally (The Chief), de Will & Grace, Lake Bell (Dra. Cat Black), de How to Make it in America e Boston Legal, Ken Marino (Dr. Glenn Richie), de Party Down, Rob Huebel (Dr. Owen Maestro) e Erinn Hayes (Dr. Lola Spratt), de Worst Week, além de convidados especiais, como Ed Helms (Dr. Ed Helms), de The Office.

Vale a pena assistir?
Sim, se você é fã do gênero sátira e de comédia escrachada.

Número de temporadas e episódios:
Constando apenas 10 episódios em sua primeira temporada, a série conseguiu uma renovação em grande estilo: terá sua segunda temporada – com 12 episódios encomendados até agora – exibida como série normal pelo canal Adult Swin, com previsão de estreia para o dia 22 de agosto.

Informações adicionais:
Como mencionado anteriormente, a web série fez uma primeira temporada tão bem sucedida que conseguiu transpor uma barreira que poucas conseguem: tornar-se, de fato, uma série de TV, a ser exibida pelo canal Adult Swim. A ideia da série partiu de seu astro principal, Rob Corddry, na sala de espera de um hospital infantil, enquanto aguardava que sua filha fosse atendida.

Onde assistir: http://www.thewb.com/shows/childrens-hospital (Infelizmente, disponível apenas para os EUA)

WEB THERAPY (2008-presente)

(por Bianca Hayashi)

O que esperar?
Web Theraphy é protagonizada pela Lisa Kudrow, a querida e saudosa Phoebe Buffay, de Friends. Para muitos de nós, apaixonados por séries, é o melhor motivo para assistirmos a série. Mas ela não é só isso; Web Theraphy é leve, divertida, sarcástica até. Lisa é Fiona Wallice, uma terapeuta que faz suas consultas pela internet. Como se isso não fosse estranho o suficiente, as sessões têm apenas 3 minutos, pois, de acordo com as pesquisas dela, é tempo suficiente para as pessoas dizerem o que querem e não ficarem enrolando e tomando seu precioso tempo.

Altos e baixos:
A edição da web série é muito boa, com as terapias sendo feitas por meio de uma videoconferência e muitas vezes, vemos as duas telas lado a lado. Outro ponto alto são os atores. Além da Lisa, temos a participação de alguns nomes bem conhecidos e todos parecem bem livres e confortáveis em seus papéis, bem diferente de como os vemos na televisão. O roteiro, no entanto, escorrega algumas vezes. Fiona é totalmente egocêntrica, narcisista e acha que o mundo gira em torno de seu umbigo, até mesmo os problemas dos pacientes. O que era engraçadinho na primeira temporada, na terceira, começa a cansar e Fiona quase se torna uma caricatura dela mesma.

Quem trabalha na web série:
A única personagem “fixa” (que aparece em todos os episódios) é a terapeuta Fiona Wallice, interpretada pela Lisa Kudrow. Todas as sessões duram pelo menos três episódios, portanto, temos uma boa rotatividade de atores. Destaques para: Dan Bucantinsky como Jerome, um paciente que pensava estar namorando sua meia irmã (interpretada por Rashida Jones), perde o emprego e vai trabalhar como assistente da terapeuta; Alan Cumming, que faz o papel de Austen Clarke, um magnata que tem um caso com Fiona e depois empresta seu jato particular para a loira viajar na campanha política do marido; e Julia Louis-Dreyfus, como Shevaun, a irmã de Fiona. Mas passaram pelo consultório Selma Blair, Courtney Cox-Arquette, Molly Shannon, Bob Balaban, Tim Bagley e Jane Lynch. Web Theraphy foi criada pela Lisa Kudrow, que tem como parceiro na elaboração do roteiro, o diretor da série, Don Ross.

Vale a pena assistir?
Sim, mesmo se você não for fã de Friends. Apesar de fazer uma personagem meio maluca, Lisa fugiu do papel que ficou marcada, mostrando que é capaz de interpretar (diferente de alguns de seus colegas da sitcom). O roteiro brinca bastante com os problemas psicológicos da Fiona e seus pacientes de uma forma inteligente e não tem como não ficar curioso com os motivos que levaram as pessoas a procurarem uma terapeuta na internet e a ficarem tão encantado com ela.

Número de temporadas e episódios:
Até aqui, são três temporadas. A primeira e segunda temporadas tem 15 episódios cada e a terceira, ainda em exibição, já tem 15 até aqui. Os episódios têm entre 5 a 15 minutos.

Informações adicionais:
Em abril, o canal Showtime demonstrou interesse em levar a série para a televisão.  Além de alguns ex-Friends serem pacientes em Web Theraphy, há algumas referências ao seriado na web série: Fiona era obesa quando criança, como a Monica; Jerome será pai de trigêmeos por meio de uma mãe de aluguel (como a Phoebe) e seu pai o abandonou como o pai da Phoebe a abandonou; e a irmã de Fiona namorou um homem chamado Kip, mesmo nome do ex-colega de quarto de Chandler e ex-namorado da Monica.

Onde assistir: http://www.lstudio.com/web-therapy/

E você, já conhecia alguma das séries que analisamos? Já assistiu alguma web série?


Lucas Soares

Série Favorita:

Não assiste de jeito nenhum:

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