When We Rise – 1×03 Part IV / Part V

19 de março de 2017 Por:

Se nós achávamos que o final do episódio anterior de When We Rise já havia sido devastador o suficiente, não poderíamos estar mais enganados. O que antes era uma batalha pela vida, agora se trata de uma luta para manter os sobreviventes vivos no meio de debates jurídicos e políticos intermináveis e leis ultrapassadas. Foi bem dolorido acompanhar a sequencia de eventos desse episódio.

A narrativa avança 10 anos e quase todo o elenco é substituído, o que é uma pena, pois eu me apeguei àquelas carinhas jovens, mas tão sofridas pela luta. O problema é que e, no caso de alguns personagens, parece que são pessoas totalmente diferentes. O Ken Jones interpretado por Michael K. Williams (de The Wire) é praticamente irreconhecível. É claro que 10 anos vivendo com o HIV e cuidando do companheiro doente e em constante alerta destrói a personalidade forte de qualquer um, mas essa mudança foi tão brusca que me incomodou.

E a minha reclamação sobre o Sam Jaeger não ter dado nenhum beijo gay fica totalmente relevada após a cena da morte de Richard. Que cena impactante! Foi um belíssimo trabalho de ambos os atores que se entregaram completamente ao último momento do casal juntos, que foi de dor e medo. Eu adoraria saber como foi o processo de preparação para o envelhecimento do Sam Jaeger. Será que ele realmente perdeu vários quilos apenas para filmas duas cenas ou foi uma maquiagem muito bem aplicada?

O arco de Ken na primeira metade serve para ilustrar a situação de casais homossexuais que, por não serem amparados pela lei de um casamento civil, muitas vezes se viam sem moradia após a morte de um parceiro, pois a justiça sempre dava causa ganha para a família, mesmo que esses nunca tivessem entrado em contato com o parente enquanto vivo. O único apoio que Ken encontra é em Cecilia Chung (interpretada por Ivory Aquino), uma jovem trans que antes havia recebido ajuda de Ken. É Cecilia quem o ajuda a conseguir tratamento médico utilizando seu histórico na marinha.

A introdução de Cecilia na história é importante por tratar de uma parcela da população LGBT geralmente ignorada. São vários os problemas que Cecilia precisa enfrentar por ser transgênero, desde ser demitida pelo simples fato de estar no meio de um processo de mudança hormonal e, portanto, seu corpo está se transformado, como sofrer abuso físico e sexual por morar em uma região extremamente perigosa após sair da casa de sua família que não lhe aceitava. A reconciliação com a mãe é muito tocante e me encheu os olhos de lágrimas. Foi realmente um lindo momento de amor e aceitação  reconhecer o que a filha precisava para estar a salvo e feliz.

Eu achei o arco de Roma (Mary-Louise Parker, de Weeds) e Diane (Rachel Griffiths, de Brothers and Sisters) o mais sem graça, mesmo tratando de um fato importante, que é como lidar com a situação de criar um filho em um lar com pais do mesmo gênero sexual e que deseja conhecer o pai biológico. O que mais me desagradou é que, por ser um episódio tão pesado, elas se tornaram a válvula de escape e os únicos momentos com risadas, principalmente se compararmos com toda a luta que encabeçaram anteriormente, agora não passam de donas de casa.

Mas o arco central é o de Cleve (Guy Pearce, de Mildred Pierce), que luta para sobreviver ao HVI junto de seu parceiro Ricardo (Rafael de La Fuente, de Empire). A reconciliação com o pai após a linda declaração de amor a Ricardo foi um belíssimo momento e que também serviu para vermos que, mesmo por trás de todo preconceito, ainda é possível se preocupar e se importar com aqueles que amamos. A pesquisa que o pai de Cleve faz mesmo sem manter contato com o filho só prova que onde há amor de verdade, sempre haverá outra oportunidade.

A batalha agora é junto aos tribunais para garantir que novas pesquisas para medicamentos contra o vírus sejam financiadas e possam ser distribuídos ao público. Os efeitos dos primeiros coquetéis AZT foram perfeitamente mostrados, pois era uma combinação cheia de efeitos colaterais, mas foi extremamente revolucionária e salvou milhares de vidas. Infelizmente, Ricardo não viveu tempo suficiente para usufruir de tal benefício. Nesse momento eu já estava agradecendo por não mostrarem outra morte, pois não sei se aguentaria outro momento como o de Richard, mas fiquei com o coração na mão por saber que Cleve não pode se despedir de seu amado.

E meus parabéns por quem decidiu colocar as imagens da visita dos Clinton ao memorial de 10 anos das vitimas do HIV. Fiquei todo arrepiado! Mesmo sabendo que havia muito marketing envolvido nessa atitude, foi um gesto muito simbólico e importante.

Na segunda metade temos a inclusão de outra personalidade, Richard Socarides (interpretado por seu irmão, Charles Socarides, Jr.). Sua aliança com Cleve é o ponto alto, pois acompanhamos os momentos do segundo mandato de Bill Clinton em que tentam uma campanha de controle de danos sobre a opinião da população LGBT após o Don’t Ask, Don’t Tell, mas que, infelizmente, não termina bem. Como se não bastasse à maravilha de um irmão interpretar o outro, são filhos do Dr. Socarides, psicólogo que defendia veementemente que a homossexualidade era uma doença e que deveria ser tratada com métodos extremamente agressivos. Ótima cena quando Richard conta ao pai que é gay e esse ameaça se matar para não viver essa “vergonha”, situação que realmente aconteceu.

Os arcos de Cleve e Roma foram bem fracos aqui. Roma e Diane tentam lidar com a filha adolescente que está com dificuldades para se adaptar em um ambiente escolar repressor e que não aceita com naturalidade o fato de que vem de um lar tão incomum. Cleve tenta adotar uma criança abandonada em seu novo prédio, mas é sumariamente rejeitado pelos agentes de adoção por ser portador de HIV e tem o bebê tomado de seus braços. Ambas situações não demonstram nenhuma luta, apenas ilustram realidades da comunidade e ficaram um pouco diminuídas em comparação a problemas maiores.

A queda de Ken me pegou de surpresa. Primeiro por jamais imaginar que, mesmo em sua dor, ele se deixaria cair no vício de álcool e drogas, principalmente por já ter trabalhado auxiliando pessoas em situações semelhantes. O “quase romance” que inicia com o colega da clínica de tratamento também foi difícil de acompanhar, mais pelo fato de o cara ser casado e manter sua sexualidade reprimida. Me pergunto se sua esposa sabe que ele é HIV positivo, já que era ela quem o matinha na clínica. Sabemos bem que há muitos casos de maridos que infectam a mulher apenas para não terem que explicar como contraíram a doença. Se sentindo abandonado e mais uma vez entregue à bebida, Ken parece ter encontrado ajuda na religião, mas não sei se a recepção continuará a mesma com o passar do tempo, principalmente por se tratar de uma congregação de maioria branca.

O final do episódio é muito interessante, pois finalmente conhecemos a pessoa para quem Cleve está dando a entrevista. E sua pergunta deve pautar o episódio final da minissérie:

Então, me diga uma coisa, antes que eu continue: como é fazer parte da primeira geração desse país sem nenhum propósito?

Foi mais um ótimo episódio, cheio de emoções pesadas, mas senti que alguns personagens perderam a força inicial que tinham. Talvez isso seja recuperado no finale. Vamos acompanhar.


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